sexta-feira, 18 de junho de 2010

Se vídeo e texto podem andar juntos, ligo então as mãos do vídeo do Marcelo Motta, reproduzido abaixo, e o trecho de um livro sensívelmente postado por minha amiga Maya em um dos seu comentários a este blog.

Boa viagem!
beijocas da Maricota.

“Há os que não reconhecem seus atributos. Os outros é que tem valor. Os outros é que sabem e agem corretamente. A norma é segui-los. É agir como eles agem. É copiá-los. Estéril mimetismo. Arremedo existencial. É abandonar a própria identidade. É recusa a originalizar algo de próprio, como diria Ricouer. Tal atitude é catastrófica. Arruína o destino humano. Esquece que toda pessoa pode criar algo de novo, e colocar no mundo gesto original por modesto que seja. Todo ser humano deveria descobrir, amar e cultivar seu valor pessoal, para o crescimento de todos. A diversidade de valores pessoais e de recursos sociais, expressa a imensurável potência que a humanidade tem para escolher rumos e destinar-se historicamente. Se não fossemos diferentes, o tédio sufocaria a história, e a rotina infecundaria os grãos da criatividade. É pela originalidade, plantada em cada existência humana, que o mundo deixa de ser monotonia para ser politonia. E, com tons diferenciados, o universo poderá ensaiar nova destinação”. (ARDUINI, Juvenal. Destinação antropológica. São Paulo: Ed. Paulinas, 1989. p. 66-67).

MARCELO MOTTA -- FESTA MARAVILHA (MR. MIGAS PARTY) -- Clipe Oficial.wmv

terça-feira, 8 de junho de 2010

Na Sala

- Boa tarde, senhora. A razão da reunião é porque seu filho não consegue acompanhar a escola. Sugiro que tente adaptá-lo a outro sistema de ensino.
- Sugiro que vocês me expliquem qual é o real sistema desta escola.
- Bem, como a senhora pode ver, a cada ano, cresce o número de alunos que passam nas primeiras colocações do vestibular. Temos pessoas brilhantes aqui, ou seja, que conseguem se destacar porque nosso sistema é excelente.
- Então, aqueles que não seguem o padrão são ruins demais para a escola, alunos medianos, sem brilho para o sistema?
- Não senhora, eles devem ser bons sim, mas não se adaptaram ao nosso ritmo!
- É muito engraçado... Sempre achei que o desafio era a escola despertar o interesse do aluno para que ele sentisse feliz, à vontade para aprender. Mas não, ao contrário vocês limitam qualquer que seja o desejo desses meninos. Na verdade, a necessidade vem da direção: aumentar as estrelas que passam no vestibular.
- Falando desse jeito a senhora nos compara a um quartel ou a qualquer ranço desse gênero.
- Que isso! Não resuma tudo em ditadura! Falar dessa maneira torna tudo simplista!
- A questão é delicada, entendo, mas precisamos ver esse caso o quanto antes.
- É verdade, o que é um molde? Belo e estúpido achismo! Quase uma crença! Métodos e modelos servem pra ajudar. Quando a escola se restringe a seguir, acaba qualquer tesão, tanto dos alunos, quanto professores.
- Acha que podemos tirar as aulas da cachola?
- Podem ouvir seus alunos, prestar atenção nas angústias e apelos.
- Não somos psicólogos, minha senhora, somos professores.
- Entendo as dificuldades, vocês não tem uma série de obrigações, são mesmo da família. Bom, diante desse cenário, o jeito é procurar outra escola.
- Vai ser melhor pra ele.
- Olha, a resposta ainda não sei. Está difícil dizer o que é melhor pra ele, porque o ensino tem se transformado em aglomerados produtivos. Cada um com seus métodos, pessoas, e padrões. Fico me perguntando, será que atendem ao mínimo dos anseios humanos?
- A gente não pode mudar toda hora, o modelo é necessário!
- Sim, ele tem seu lugar... Mas fique com uma pergunta: o que seriam das invenções sem criatividade, riscos e extrapolações de modelos?
- Senhora, aguardamos o pedido de transferência do seu filho.
- Sem dúvida o farei.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Fé move pressões

Precisamos controlar nossas paixões para sobreviver ao mundo externo, pois imagine se cada um vivesse de acordo com seus impulsos irracionais? Bem, somos parte de um processo de civilização das sociedades, partindo de uma visão grosseira sobre as teorias da civilização. Como queremos “adequar” ao meio em que vivemos, vamos aderindo às regras sociais e, no uso das faculdades mentais, negociando entre paixões e razões... Isso certamente nós trará boa dose de ansiedade, stress, contrariedade, pois imagine (a bem grosso modo) você louca pra voar no pescoço do sujeito que te sacaneou puxando-lhe o tapete num grande projeto e tendo que se reunir com ele na segunda porque é seu chefe. Temos escolhas é claro, mas entre elas há o meio termo da negociação entre razão e emoção, o qual fica a cargo da inteligência... E nas altas tensões, onde a negociação entre essas forças está em grande freqüência, nos sentimos vulneráveis, aptos a encontrar apoio numa experiência que proporcione certa tranqüilidade. Há quem goste das sessões de terapia, outros de cantar no chuveiro, outros de danar a comer, outros de meditar e outros de agarrar à religiosidade (não descartando as inúmeras outras opções).
De todas essas escolhas, a minha preferida para falar hoje é sobre um dos efeitos da religião. Independente do credo, o fator de se agarrar a algo sobrenatural é fantástico aniquilador de tensões. Sem nenhuma crítica, a questão aqui é falar que tem toda razão os cientistas americanos em defender o fator fé, estudado num meio de pessoas idosas, como responsável também por reduzir as chances de problemas cardiovasculares (ver em http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/05/fe-previne-doenca-cardiovascular-afirma-estudo-americano.html) Não tenho conhecimento técnico do assunto, por isso atenho a minha simplista interpretação, concordando com o resultado do estudo. Pensando bem, imagine que você tem um problema sério na família e não pode contar a ninguém como está se sentindo ao longo dos dias? Como ficaria? No meu caso me sentiria estressada, preocupada, distraída, com insônia e os sintomas só piorariam. Mas se tem a permissão de contar ao seu melhor amigo? O problema continua, entretanto você tem a sensação de dividir o peso, de ter alguém pra contar, mesmo que ele não resolva, sendo sua presença na história apenas um fator “fictício” de possibilidade de ajuda. Isso já altera muita coisa. E aí fica mais “leve” e talvez tenha tempo para raciocinar sobre a resolução do problema ao invés de martelar o quanto tem sido difícil, aumentando o stress, pressão cardiovascular e dores de cabeça. Penso que a religião atue semelhantemente. Você compartilha o problema com Deus (ou Deuses ou os santos, entidades no caso de muitas religiões) e acredita que dividiu a carga com alguém que te ajudará. É uma situação fictícia, pois não existe, mas a sua fé faz com que ela passe a ser “real”. A partir daí você não está mais sozinho, não tem que “resolver” tudo sozinho, existe alguém para lhe ajudar e a responsabilidade (mesmo que você racionalmente saiba que deuses não batem cartão) fica mais equilibrada. Então, vale a pena ter fé?
Bem, segundo os estudos científicos (que ainda são estudos) a mudança de comportamento em relação à fé traz benefícios à saúde, mas quando entramos no assunto das REDES, me permito dizer: faça o que achar melhor! Viva a experiência que acreditar que vai aliviar seu stress, dividindo seus problemas com o sobrenatural, com analistas, com amigos ou digerindo-os num ato solitário. O importante é sentir-se bem sem perder a noção de quem é a responsabilidade, já que deseja ser você mesmo, com toda condução que existe em seu fio de vida... Boa decisão!

terça-feira, 23 de março de 2010