Avisem quando começar. Quando não restar mais folhas nas árvores. O menino parar de jogar bola na rua. A lavadeira recolher os lençóis. Minha avó deitar no quarto escuro. Quando ranger a gaveta das velas.
Às vezes me pergunto. Seria mais confortável saber a previsão das tempestades? Preparar o casaco. Fechar as janelas. Escurecer os quartos. Arranjar as lamparinas. Arredar os móveis. Guardar no bolso o telefone da distribuidora de energia. Cozinhar mais cedo. Antecipar os medos.
Hoje, olhando pela janela e ouvindo música, consegui sentir a vida em seu jogo do contrário. O de fora raramente coincidindo com o de dentro. A luz externa vivendo independente da escuridão interna. Mesmo aborrecido pela indiscrição do dia ensolarado, da falta de educação do céu travestido, fui derrotado. Nada melhor que sair da casa de molusco.
A realidade é que ninguém prepara pra enfrentar os desastres. A gente vive em função de lamber a lata de leite condensado. De viver até a última gota. A tempestade nos racha sangra, às vezes até mata. No entanto... “Passa, por favor, o pão de queijo e a manteiga. Gosto da combinação..”
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